
Quantas vezes eu já quis tudo
e o mesmo tempo, não quis nada
Nada além de tudo, tudo além de nada
Proferir uma palavra, um consolo sequer
Promessas de mudança, novidades quaisquer
Levar paz ao espírito de quem ela me trouxer
Algo em mim criou a impossibilidade
de admitir meus erros e incapacidades
Pois dentro de mim só existem vaidades
Meu eu me controla, o orgulho me devora
E minha'lma de pedra, contrariada, chora
por tudo aquilo que um dia almejei
Por todos os sonhos pelos quais não lutei
Meu peito raivoso se corrói em lágrimas
Lágrimas de angústia, rancor e lástimas
E a indiferença estampada em meu rosto
é apenas a máscara na qual me escondo
Para que não descubram quem realmente sou
Um poeta que voa pois tem medo do chão
E que escreve pois não sabe falar,
Que tem medo da transparência presente em seu olhar
Procuro então perdão nesses versos
Talvez até consolo para meus desenganos
E sempre os encontro, nem que só por um instante
Até que a realidade bate em minha porta
E me leva de volta ao mundo em que vivo
Onde meu orgulho não é tema de poesia, e sim, de conflito